Com sotaque Alemão
Para provar que o interesse no Brasil não é restrito a poucos países, um dos maiores grupos industriais do mundo, a alemã Evonik Industries AG, também está de olhos abertos às oportunidades das Américas. A empresa anunciou recentemente que vai construir duas fábricas de alcoóxitos, catalisadores para os processos de obtenção do combustível. Uma delas vai ser instalada no Alabama (EUA) em 2009, e a outra justamente no Brasil, em 2010. A aposta, portanto, está diretamente ligada ao setor de produção. E vale ressaltar que construir uma fábrica no Brasil para dar suporte à produção de biodiesel é uma aposta alta, que só pode ser feita por quem está convicto de que este será um investimento de sucesso.
A empresa não revela quais os valores necessários para colocar o plano em prática, mas dá uma pista de que eles chegam a dois dígitos de milhões de euros. Quanto à escolha dos países para abrigar as fábricas da Evonik, Thomas Haeberle, diretor da unidade de negócios Building Blocks do setor químico do grupo, afirma que “o Brasil é o mercado de biodiesel mais atraente da América do Sul, o que torna o país a localização óbvia para a construção de uma unidade fabril”.
Mistura de nacionalidades
Outro grande investimento estrangeiro no setor de biodiesel no Brasil vem de uma interessante mistura de nacionalidades. De um lado está o Grupo Agrenco, multinacional com sede na Holanda, e de outro uma grande empresa industrial japonesa, a Marubeni Corporation. Juntas, elas vão construir três parques de bioenergia no Brasil, sendo três usinas de biodiesel (que vão usar oleaginosas e gordura animal como matéria-prima), duas usinas de co-geração de energia elétrica e duas indústrias de esmagamento de soja. As fábricas estão sendo construídas nas cidades de Alto Araguaia (MT), Caarapó (MS) e Marialva (PR). O projeto visa ser auto-sustentável e todas as funções das fábricas estão interligadas. Ou seja, haverá produção de biodiesel, mas também de energia elétrica para as próprias instalações.
No acordo, a Marubeni terá participação de 33% na Agrenco Bionergia, enquanto o Grupo Agrenco deterá os outros 67% da companhia. As duas empresas deverão integralizar o capital de mais de R$ 200 milhões (U$ 120 milhões). Como no caso da Bionasa, a Agrenco Bioenergia está focando o mercado de exportação do biocombustível. Por isso, desde o começo, foi decidido que o biodiesel seria produzido conforme as regulamentações européias, americanas e japonesas – a fim de atender clientes potenciais no mundo.
Em novembro de 2007, a Agrenco Bioenergia passou pelo processo de oferta pública inicial (IPO), evento que marca a entrada no mercado de ações. Com a abertura de capital, o patrimônio da companhia deve aumentar e a empresa poderá fazer novos investimentos e negócios.
Outras oportunidades
Além das empresas já mencionadas, há ainda vários outros grupos que também já começaram a investir no Brasil, mas preferem manter segredo sobre os próximos passos e não comentam o assunto. É o caso da norte-americana Comanche Clear Energy. Por mais que a empresa fale pouco, no entanto, a informação de que o Brasil deve receber mais dinheiro para o biodiesel é dada pelos representantes dos próprios estados.
O secretário de Agricultura da Bahia, Geraldo Simões de Oliveira, tem alardeado aos quatro ventos que quer transformar o estado em um pólo de bioenergia nos próximos oito anos. A intenção é ampliar a área dedicada ao cultivo de oleaginosas para produção de biodiesel dos atuais 100 mil hectares para cerca de 640 mil hectares. O secretário conta ainda com mais um trunfo. Segundo ele, a Comanche teria planos de ampliar a produção de biocombustível em solo baiano.
Outro estado brasileiro que estaria sendo sondado é o Maranhão. De acordo com o secretário de Indústria e Comércio, Júlio Noronha, a previsão é de que sejam investidos cerca de R$ 500 milhões em empreendimentos voltados à produção de etanol e biodiesel. O anúncio teria sido feito em setembro pelo próprio vice-presidente da Comanche no Brasil, João Pesciotto, durante uma viagem do secretário a Nova York, nos Estados Unidos. O que se sabe até agora é que as especulações sobre novos aportes vindos para o Brasil são muitas. O lado bom da história é que muitos boatos têm se concretizado. E quem sai ganhando é o biodiesel brasileiro.