A aposta espanhola
Um dos investidores estrangeiros que chamam a atenção pelo tamanho da aposta é a CIE Automotive. A multinacional espanhola é uma das maiores produtoras de biodiesel da Europa, com usinas na Espanha e na Itália, e recentemente iniciou parcerias no país. Uma delas foi com a Bioauto, empresa na qual possui 50% de participação acionária e que tem sedes em Nova Mutum (MT) e Diadema (SP).
O interesse da gigante espanhola é explicado de forma direta. “É uma questão lógica”, afirma Walter Bottura Júnior, diretor da Bioauto em São Paulo. “O país está no foco dos investimentos de biocombustíveis. O Brasil é a bola da vez”, completa. Mesmo com fortes concorrentes na América do Sul e na África, para os espanhóis há vantagens que desempatam o jogo a nosso favor. “Temos uma economia em crescimento e uma estrutura melhor do que a da África, por exemplo”, explica Paulo Chagas, gerente de desenvolvimento da Biauto no Mato Grosso.
Em maio de 2008, começa a ser construída a usina de biodiesel da Bioauto em Diadema (SP). A produção se inicia em 2009, com óleo vegetal reaproveitado como matéria-prima. No Mato Grosso, o cronograma é semelhante. A usina deve ficar pronta no ano que vem e começar a produzir também em 2009. Por lá, a matéria-prima escolhida é o pinhão-manso. O valor do investimento é de R$62 milhões de reais. Desse total, R$30 milhões serão investidos na indústria e a outra metade na agricultura. Mas os planos da Bioauto não param por aí. “Nos próximos cinco anos temos o projeto de construir dez plantas no Brasil”, conta Chagas. “Talvez uma no Maranhão, outra em Minas Gerais e mais duas no Mato Grosso. As outras não têm local definido”, completa.
Embora não escondam os planos ambiciosos de novas usinas no país, os representantes da Bioauto não estão cegos a alguns pontos que ainda geram desconfiança nos investidores internacionais. “Poderíamos ter muito mais investimentos se houvesse uma infra-estrutura portuária e de estradas melhor”, dispara Bottura Júnior. Outro problema, segundo o diretor da Bioauto em São Paulo, é a alta tributação sofrida pelos empresários. Por fim, a queixa dos estrangeiros é a mesma dos brasileiros: os pequenos produtores não têm o preparo e a estrutura necessários para lidar com grandes empresas e se comprometer com resultados eficazes.
Quanto à destinação do combustível produzido por aqui, a Bioauto afirma que considera o mercado interno primordial neste momento. A idéia de exportar o combustível estaria prematura. “Tudo vai ser consumido dentro do Brasil, mesmo porque existem especificações européias que complicam a exportação”, afirma Chagas. “Se houver produção excedente, podemos até exportar. Mas não o biodiesel e sim o óleo de pinhãomanso”, arremata.