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Fiagril: Quando tudo começou

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Em 1985, quando Marino José Franz, fundador do Grupo Fiagril, deixou a terra natal, em Santa Catarina, e decidiu desbravar o Centro-Oeste do país, começava uma trajetória de sucesso que sempre teve como pano de fundo a agricultura. Depois de administrar fazendas próximas, o primeiro negócio foi uma loja de distribuição de produtos químicos, aberta em 1988.

Anos depois, em 1997, firmou sociedade com o paranaense Miguel Vaz Ribeiro, que atuava como gerente de unidades armazenadoras na região. Surgia, assim, a Fiagril Armazéns Gerais e, logo em seguida, a Fiagril Agromercantil. A soma das experiências de ambos foi decisiva para o crescimento do grupo, que atua no comércio de insumos agrícolas, presta assistência técnica a produtores, possui unidades armazenadoras e, agora, ingressa no setor de biodiesel. Além da sede, em Lucas do Rio Verde, a Fiagril possui lojas nas cidades mato-grossenses de Sorriso, Sinop e Ipiranga do Norte.

Em busca de novas oportunidades de expansão, em julho de 2006, a empresa participou do quarto leilão público de compra de biodiesel, feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na assinatura do contrato, assumiu o compromisso de fornecer à estatal cerca de 27,5 milhões de litros do biocombustível ainda em 2007. No entanto, como houve demora na entrega de algumas máquinas necessárias para a fábrica, a conclusão do processo de negociação sofreu um atraso e dificilmente a empresa vai liberar todo o volume contratado até o final de dezembro.

“A partir do leilão, ficamos com um compromisso firmado e faremos o possível para entregar o máximo de biodiesel ainda em 2007. Em 2008, imaginamos que não devem ocorrer atrasos”, explica Francisco Flores. Na primeira fase, as matérias-primas utilizadas na produção, e que já estão nos tanques da fábrica, são os óleos de soja e de caroço de algodão. Flores destaca que, mesmo com o alto preço atual da soja, foi possível utilizar a oleaginosa no processo porque a Fiagril fez compra antecipada do grão, com preço “hedgeado” (protegido por contratos futuros).

Pelos cálculos da empresa, 100 quilos de soja têm rendido aproximadamente 18 litros de óleo e cerca de 17,5 litros de biodiesel. Para a comercialização da glicerina, que é um subproduto do processo de obtenção de biodiesel, existem, segundo ele, algumas possibilidades de negócio sendo estudadas, mas nenhum acordo foi fechado.

Biodiesel no Brasil

A Fiagril assumiu o posto de 42ª usina autorizada pela ANP em setembro e já possui o Selo Social, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) às usinas que utilizam produção da agricultura familiar no processo de obtenção de biodiesel. Segundo a direção, o grupo tem campos com experimentos de outras oleaginosas e a intenção é incentivar agricultores familiares da região a ampliar os tipos de cultura.

“Sabemos que o fato de estarmos em uma região com grande oferta de óleos vegetais e gordura animal e de termos vínculos com pequenos produtores são vantagens competitivas da Fiagril”, afirma o gerente administrativo do grupo, lembrando que não estão descartadas as possibilidades de novos investimentos. De acordo com ele, a empresa vai aguardar o posicionamento do mercado nos próximos meses e avaliar a aceitação do produto. Se houver demanda, novas unidades poderão ser construídas. E mais um passo será dado para que a Fiagril consolide sua participação no mercado do biodiesel.