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Itália: Mercado Interno Fraco

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Ainda que contorne o problema da escassez de insumos, a Itália admite que não conseguiu criar um mercado interno. O país é eficaz do ponto de vista industrial, mas trabalha apenas para a exportação. “O certo é que temos a capacidade de transformar cerca de um milhão de toneladas de grãos. As usinas recebem matéria-prima de fora, produzem biodiesel e, depois, vendem o combustível ao mercado estrangeiro”, explica Chiaramonti. Para solucionar essa questão o governo tenta incentivar o consumo. Em 2005, foi aprovado um decreto que prevê o uso do biodiesel e de outros combustíveis renováveis nos transportes públicos. Agora, outro projeto está em discussão. De acordo com o representante da Coldiretti está sendo debatida uma lei que permite que as empresas agrícolas usem o biodiesel para consumo próprio. “A expectativa é de que isso sirva como elemento de racionalização e redução de custos”, comenta. E, assim, crie um mercado interno consumidor. Do outro lado da mesa, no entanto, tudo vai bem. Recentemente, durante uma Conferência Nacional sobre as Mudanças Climáticas que aconteceu em Roma, o presidente do Conselho Italiano, Romano Prodi, disse com todas as letras que o desenvolvimento das energias renováveis faz parte dos pontos prioritários para a Itália.

Ele garantiu que o país tem potencial e, por isso, vai investir no setor. A Lei do Orçamento Nacional, atualmente em discussão no parlamento, prevê maiores recursos financeiros para efetivar um plano de ação para a eficiência energética. Mais de 1,35 bilhão de euros vindos de dois fundos de reserva do governo devem ser aplicados. Como se vê, dinheiro não é problema. A expectativa é de que se consiga estimular o setor de biodiesel. Já que, por enquanto, ainda é incerta para o país a contribuição real dos biocombustíveis para a queda da emissão de CO2 na atmosfera e a conquista da autonomia energética. A grande máquina para a produção destinada ao uso interno ainda não está azeitada. O biodiesel não chega ao mercado e os consumidores continuam a utilizar exclusivamente o combustível tradicional.

O subsecretário das Políticas Agrícolas, Stefano Boco, declarou que em dezembro de 2007 se terá pela primeira vez uma avaliação concreta da autonomia energética garantida pelas fontes renováveis. Só a partir daí será possível saber o real potencial ecoenergético do país. “A tecnologia já está consolidada”, comemora David Chiaramonti. Segundo ele, a indústria italiana tem alto conteúdo tecnológico e é dinâmica. Além disso, continua pesquisando para produzir biodiesel de melhor qualidade e com matérias-primas alternativas, como algas e a jatropha.

“A indústria está pronta e o mercado italiano, mesmo com um pouco de dificuldade, aceitou a imposição dos biocombustíveis. Nos próximos anos, o volume produzido vai aumentar”, profetiza Pier Giuseppe Polla, da Novaol. “Nós italianos temos que dar uma sacudida. Precisamos melhorar a nossa produtividade nos custos e nas vendas para sermos competitivos com o biodiesel do Brasil, da Argentina e da Malásia”, completa.

A impressão que se tem, ao final, é que a máquina italiana está pronta para partir. A bandeira para a largada depende apenas da superação de impedimentos burocráticos que são, ao mesmo tempo, pequenos e grandes. Isso porque a Itália tem recursos tecnológicos, financeiros e enorme boa vontade por parte dos consumidores.