Revista Biodiesel BR

Revista especializada em biodiesel, assine já.

A melhor revista sobre biodiesel do Brasil

O melhor site de biodiesel do Brasil agora apresenta a maior revista sobre este biocombustível. Confira abaixo as reportagens da primeira edição.

Ditribuição: Faltam veículos

Esta reportagem continua:

Content divided

Os problemas enfrentados na distribuição do biodiesel puro (B100) são encarados com certa naturalidade pelos agentes do mercado. Isso não significa que as falhas vão ficar fora da pauta de discussões em 2008. “Os desafios estão aí e temos de lidar com eles todos os dias. Em primeiro lugar, temos a crescente demanda anual de 35% do álcool, que necessita de caminhões-tanques para ser transportado, concorrendo diretamente com o biodiesel”, aponta Alísio Mendes Vaz, vice-presidente do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). “A capacidade de produção das montadoras está no limite, ou seja, elas não conseguem aumentar sua produção de veículos em menor tempo, não existe disponibilidade imediata de novos caminhões”, desabafa.

O problema apontado por Vaz é complicado. Segundo estudo de Marcos Benzecry, especialista em distribuição de biodiesel do Centro de Estudos em Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead – UFRJ), em 2008 serão necessários mais 400 caminhões rodando para dar conta do suprimento do biodiesel. Mas, mesmo se houvesse veículos em número necessário, os desafios não teriam acabado.

Várias usinas não têm disponível a quantidade de biodiesel negociada em acordo prévio com a Petrobras. O que acontece nesse caso é que a distribuidora envia os caminhões para buscar o combustível e, chegando ao local, fica sabendo que não há quantidade suficiente para toda a demanda.

A falha estaria na baixa capacidade de tancagem das usinas para armazenar a produção. Em casos assim, a fila de veículos na porta da produtora cresce e pode durar até 15 dias. “O prejuízo fica por conta da distribuidora”, diz Alexandre Araujo Tomaz Neto, gerente comercial e de logística da Transmasut Transportes. “E a empresa, às vezes, cobra da usina”, completa. Para Machado Nogueira, da BR, “não é que as usinas deixam de produzir, mas sim que elas começaram a fazer o biodiesel no decorrer do ano. O que é normal, pois toda indústria, em seu começo, necessita de ajustes”.

Os problemas com atrasos pedem soluções criativas. A Alesat tenta dar um jeito na questão com caminhões-tanques próprios. “Nossos veículos têm rastreadores e comunicação online com o motorista. Assim, fica mais fácil entrar em contato e orientar o caminhão a mudar de rota, a ir buscar o combustível em outro lugar”, conta Sousa. Mas nem sempre a manobra dá certo, já que muitas usinas são isoladas e a mudança de rota pode não compensar os custos.

Outra queixa por parte das distribuidoras é em relação ao carregamento. “A infraestrutura das usinas nessa área ainda é pouco eficiente”, critica Vaz, do Sindicom. Além disso, a densidade do biodiesel é mais alta que a do diesel mineral, deixando o caminhão mais pesado. Isso pode gerar dores de cabeça porque existe a lei da balança nas estradas – que controla o peso do veículo de cargas a fim de não causar danos às rodovias. “Por causa disso, muitos distribuidores têm levado multa por excesso de carga”, conta Marcos Benzecry.