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Cooperativas: Valor agregado

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Albuquerque não está feliz com o atual destino da mamona, plantada com sementes desenvolvidas pela Embrapa em 3.500 hectares de Pocinhos, que segundo ele tem 62% dos 15.600 habitantes abaixo da linha de pobreza. A oleaginosa é vendida em forma de grão a indústrias da Bahia e de São Paulo. “Hoje não estamos agregando valor ao nosso produto”, lamenta. A idéia é construir uma usina com capacidade de produção de 1,2 milhão de litros de biodiesel por ano, não só a partir da mamona como também do caroço do algodão, outra cultura forte no município. A usina, segundo ele, funcionará também como laboratório para estudantes de engenharia da UFCG e de escola para treinamento de técnicos que vão tocar a cooperativa no futuro.

Com a experiência de quem conhece bem as complicações do caminho, Albuquerque dá conselhos às cooperativas que almejam o sucesso no biodiesel. “Façam seus planos de negócio e busquem parcerias em universidades e órgãos de pesquisa. Sem pesquisa não se vai a lugar algum”, diz. Outra recomendação é freqüentar seminários e congressos do setor. “Participar desses eventos é uma oportunidade de conversar com os órgãos governamentais e conhecer novas tecnologias de produção”, explica.

Para Márcio Lopes de Freitas, presidente da OCB, o biodiesel é sem dúvida uma chance e tanto de se criar renda alternativa para pequenos e médios cooperados, mas o governo precisa empenhar-se mais para ajudá-los. “Incentivar a produção a gente sabe, o que está faltando são políticas públicas para dar segurança ao produtor. O Selo Social é útil, bem-vindo, mas não é suficiente se o agricultor não tem linha de crédito”, critica.

Na opinião dele, com mais apoio do Estado e competência administrativa, as cooperativas podem, sim, ter sucesso na cadeia do biodiesel e, quem sabe, levantar grandes usinas. “Não tem que pensar pequeno, não”, incentiva.