Cooperativas: Incentivo fiscal
Outro ponto a favor das cooperativas agropecuárias são os esforços do governo federal para a inclusão da agricultura familiar na cadeia do biodiesel, como ilustra a criação do Selo Social. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), atualmente 91 mil famílias estão integradas ao sistema produtivo do biodiesel e a meta é chegar a 350 mil famílias até 2010. Grande parte delas vai estar organizada em pólos de produção de oleaginosas próximos a usinas em todo o país – até agora 30 pólos foram implantados. O modelo dos pólos, criado pelo MDA, pretende garantir a inclusão dos agricultores familiares e o suprimento das indústrias. “Os pólos podem ser o berço de inúmeras cooperativas na área de atuação do biodiesel. Onde tem indústria, tem de ter arranjo produtivo de matéria-prima”, afirma Arnoldo de Campos, coordenador geral de agregação de valor e renda do MDA.
“Os agricultores familiares têm diante de si um mercado que não pára de crescer”, afirmou José Honório Accarini, representante do Ministério da Casa Civil no Grupo Gestor do Biodiesel, durante o seminário da OCB, no Rio. “O papel das cooperativas é organizar os agricultores familiares”, completou. Organizar a produção de matériasprimas, porém, é apenas o começo caso as cooperativas ambicionem erguer uma indústria. “A capacitação em gestão é o maior desafio para as cooperativas entrarem no processo industrial da cadeia do biodiesel”, alerta Arnoldo de Campos.
É essa capacidade, por exemplo, que será analisada pelas instituições bancárias que oferecem linhas de crédito para financiar usinas. Os bancos e outras instituições financiadoras só liberam verbas para projetos consistentes, ou seja, que provem a viabilidade técnica e econômica da futura indústria.
Mas essa tarefa pode ser complicada, como bem sabe Ricardo Henrique Albuquerque, presidente da Cooperativa Agroindustrial do Compartimento da Borborema (Coopaib), com sede em Pocinhos (PB). Albuquerque, um oficial da Marinha aposentado, batalha recursos junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, para instalar uma usina na cidade. Seu primeiro pedido de financiamento foi rejeitado, mas, determinado, ele foi atrás de parceiros como a Embrapa, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a OCB e a Universidade de Brasília e obteve ajuda para elaborar um segundo projeto, que será re-encaminhado à Finep em breve.