Fartura de sebo animal
Uma das principais vantagens dos insumos animais é que, afinal de contas, a matéria-prima já está aí, totalmente disponível para uso. Segundo a Pesquisa do Abate de Animais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao terceiro trimestre de 2007, o Brasil é o país com maior rebanho bovino comercial do planeta e é o segundo maior produtor de carne bovina, atrás apenas dos toneladas de carne produzidas por ano. O país também é o terceiro maior produtor de carne de frango, atrás de Estados Unidos e da China. E o quarto maior produtor de carne suína, com 2,7 milhões de toneladas por ano.
Ainda segundo o IBGE, a indústria da pecuária abate por trimestre 7,6 milhões de cabeças de gado no país – e estamos falando apenas de bovinos. Segundo Cláudio Bellaver, a cada animal abatido se pode retirar, em média, de 15 a 17 quilos de sebo.
Mas essa quantidade é apenas uma mínima parte do total da gordura animal que poderia estar disponível no mercado. “As estimativas não são exatas, pois as fontes de informação variam e todas são via cálculos de dados primários”, afirma Bellaver. Mesmo assim, o pesquisador da Embrapa arrisca um número nacional para o mercado. “Cerca de três milhões de toneladas/ ano é um dado aceitável de toda a produção animal do Brasil. Esse total engloba gorduras de primeira, comestíveis, óleos e gorduras para a indústria cosmética, rações animais e outras indústrias – sem contar as gorduras ácidas e não-desejáveis para a alimentação animal”.
Até hoje, o sebo era considerado um subproduto do boi, que servia principalmente para a indústria alimentícia e para a indústria de cosméticos. Os produtores de sabões são grandes beneficiários da gordura animal. “O setor saboeiro consome cerca de 500 mil toneladas de gorduras por ano”, afirma Zoé Morés, executiva da Associação Brasileira das Indústrias Saboeiras e Afins (Abisa). “Desse total, cerca de 450 mil toneladas por ano são de sebo bovino”, complementa.
Ou seja: 90% de toda a gordura que serve para produzir sabonetes, sabão em pó e outros produtos do gênero vêm dos bois do país. O surgimento da indústria do biodiesel como concorrente na compra dessa matéria-prima preocupa o segmento. “A Abisa está observando cuidadosamente a evolução do mercado de gorduras e, em particular, a evolução do mercado de sebo”, diz Morés. “A entrada de um novo consumidor dessa matériaprima, atuando em escala muito elevada, como é o caso do setor de combustíveis, deixa todos apreensivos”, desabafa.