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A soja em alta

Atualmente 58 milhões de toneladas de soja são produzidas no Brasil. Desse total, uma parte é transformada em óleo que é usado tanto na alimentação quanto na transesterificação. Mas mesmo na liderança das matérias-primas, a soja tem sido alvo de críticas. E não é para menos. O rendimento da planta é de apenas 18%, considerado baixo se comparado a outras culturas como o girassol, que rende até 48% do peso em óleo. “A soja não é a matéria-prima mais eficiente para o biodiesel e neste momento tem sido altamente discutido o uso dela”, diz Renato Giraldi, diretor executivo da Metacortex no Brasil, empresa especializada em estruturação de usinas de etanol e biodiesel.

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Outro fator que tem desanimado os usineiros são as constantes altas do custo da soja no mercado internacional. Muitos especialistas acreditam que a escalada de preços continue em 2008. Gonzalo Terracini, no entanto, diz que é cedo para fazer previsões. “A produção do biodiesel em larga escala irá criar uma nova demanda na área de produção de soja, principalmente no percentual que origina o óleo”. Ele acredita que seja necessário um aumento de pelo menos 15,7% na área plantada com soja para atender um acréscimo de 5% na demanda de óleos vegetais para a produção do B5. “Estamos frente a um ciclo de preços altos para as commodities. Não vejo os preços de óleo caindo em curto prazo”, avalia Terracini. Ele diz que não é possível especificar o nível de preços do óleo de soja quando começar a vigorar a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel de petróleo, mas faz uma importante lembrança. “Em janeiro estaremos no pico da entressafra da soja, o que indica que provavelmente o preço do óleo esteja mais alto”, acredita.

Para Rodrigo Augusto Rodrigues, as turbulências podem ser evitadas se os usineiros conseguirem fechar contratos de fornecimento de matéria-prima em médio e longo prazo. “A verticalização da produção com economias de escala e escopo no processo, agregando valor ao negócio de extração de óleo vegetal, é uma forma de reduzir os custos de produção”, afirma. Essa seria uma forma, segundo ele, de evitar a importação de óleo de soja. “Dada a diversidade de matérias- primas admitidas na produção de biodiesel, seria uma vergonha e um fracasso termos que recorrer de forma regular à importação de óleo de soja”, afirma.

De olho nas incertezas do futuro, algumas empresas já estão partindo para o uso de outras matérias- primas. A Bertin investiu R$ 42 milhões em uma usina inaugurada há poucos meses em Lins, no interior de São Paulo. A unidade está sendo 100% abastecida com sebo bovino originado do frigorífico do grupo e de outros fornecedores. A expectativa é de que sejam produzidos 110 milhões de litros de biodiesel por ano. “É preciso pesar o custo da matéria-prima e o preço de comercialização do combustível”, diz o diretor industrial da Bertin Biodiesel César Abreu. A unidade está preparada para trabalhar com qualquer tipo de óleo vegetal e a escolha da matéria-prima, segundo ele, dependerá da oferta de mercado. “A viabilidade econômica do processo deve ser preservada”.

O quadro atual indica que é preciso, mais do que nunca, que o Brasil deixe de ser um refém da soja e aumente as pesquisas na área. O que se vê no entanto, é que as matérias-primas alternativas à soja ainda passam por processos de experimentação e estão longe de representar um porto seguro para os empresários do setor. “Essas matérias- primas não apresentam estruturas produtivas e de comercialização desenvolvidas, implicando em potenciais riscos quanto à oferta inconstante e maiores riscos”, diz Terracini.