Notas tecnológicas
Qualidade certificada
Boa notícia para os empresários que estão de olho na exportação do biodiesel brasileiro. Pesquisadores do Instituto de Química da Unicamp desenvolveram uma técnica capaz de atestar a qualidade do combustível. O método, inédito no mundo, é fruto de uma série de pesquisas feitas em parceria com a Petrobras, a Universidade Federal de Minas Gerais e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Para certificar a qualidade do biocombustível, os pesquisadores usam um equipamento chamado espectômetro de massas, que faz uma varredura em todas as substâncias presentes na amostra e depois emite gráficos. A análise leva poucos minutos. A técnica também determina a fonte graxa - vegetal ou animal - usada na produção do biodiesel. O Inmetro deve agora analisar a eficácia do método. Caso seja aprovado, o instituto poderá montar uma usina própria para emitir a certificação do biodiesel.
Novos usos para o glicerol
Alguns pesquisadores norte-americanos estão perto de encontrar uma solução para uma das maiores dores de cabeça dos produtores de biodiesel: o destino do glicerol, um dos co-produtos do combustível. É o que mostra uma reportagem publicada recentemente pelo jornal The New York Times. Victor Lin é professor de Química e diretor associado do Center for Catalysis na Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos. Ele criou uma tecnologia que muda o processo de produção do biodiesel usando um catalisador alternativo. A vantagem é que, nesse sistema, o glicerol produzido tem melhor qualidade e pode ser convertido em materiais industriais úteis, como o 1,3 propanodiol – substância usada na confecção de tapetes e roupas. Outro estudo vem sendo feito por dois cientistas, Steven Vaughn e Ronald Holser, que fazem parte do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. A partir do glicerol, eles estão desenvolvendo protótipos para barreiras biodegradáveis de ervas daninhas e fitas adesivas que seguram as sementes de grama no solo até que elas tenham tempo para germinar.
A tecnologia da Bertin
A usina de biodiesel inaugurada em agosto pelo Grupo
Bertin em Lins, no interior de São Paulo, está operando
com tecnologia e equipamentos fornecidos pelas empresas
Dedini S/A Indústrias de Base – responsável pela engenharia
básica e pela montagem da planta - e a italiana
DeSmet Ballestra Óleo – que ficou com os cuidados da
engenharia de processo. A usina é a primeira do Brasil a
operar com sebo bovino e já está sendo considerada a
maior do gênero no mundo. A unidade é toda automatizada,
o que melhora a eficiência na produção de combustível
e diminui a geração de efluentes.