Pesquisa para o futuro
Além das vantagens mercadológicas, os produtores alemães estão amparados em outra importante linha de incentivo do governo: a pesquisa. Pelo menos 15 grandes instituições entre universidades e centros independentes se debruçam atualmente sobre as questões do setor. Sejam as novas tecnologias e técnicas de plantio da matéria- prima até o equipamento e processamento do combustível.
Tanta excelência possibilitou que os alemães criassem um conjunto de parâmetros para o biodiesel. Preocupadas com a baixa qualidade do combustível distribuído no país, as associações de produtores formularam o programa AGQM (Arbeitsgemeinschaft Qualitätsmanagement Biodiesel), que gerencia a qualidade do produto. Atualmente, 1.400 dos 1.900 postos de biodiesel, já oferecem a versão de qualidade certificada para o consumidor final. Na bomba, o número de consumidores é expressivo.
No último ano, nos postos convencionais, foram vendidos 152 mil toneladas de biodiesel para carros comuns e 325 mil toneladas para veículos pesados. O setor que mais usou o biodiesel foi o de transporte, com nada menos que 923 mil toneladas. Cerca de 90 mil toneladas foram usadas na agricultura e 1,10 milhão de toneladas para a composição do B5.
A indústria automobilística,
embora um pouco resistente, também
acena com novidades tecnológicas
e modelos híbridos menos
poluentes e melhor preparados para
a nova geração de biocombustíveis.
O presidente da DaimlerChrysler,
Dieter Zetsche, afirmou que veículos
ecologicamente corretos são
uma preocupação da montadora,
mas “apenas uma entre tantas preocupações”.
“Até 2010 calculamos que
haja no mundo cerca de um milhão
de modelos híbridos, mas isso será
apenas 2% da venda de automóveis”,
explica. Na prática, a montadora
exibiu nada menos que 19 modelos
“ecologicamente corretos” no último
Salão de Frankfurt, que aconteceu
de 13 a 23 de setembro deste
ano. No evento, aliás, os visitantes
podiam relaxar no lounge “Biofuel
Bar”, de 170 metros quadrados,
onde, além dos drinques naturais,
os participantes podiam
se informar
sobre a segunda
geração de biocombustíveis
e bioetanol,
além de biomass-
to-liquid, uma
tendência do setor.
Num país onde os
anúncios de carros
trazem também a
emissão de CO2 por
quilômetro rodado,
nada mais natural
que o biodiesel seja
assunto do dia.