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Importação é realidade

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Apesar dos números robustos de produção de biodiesel, a Alemanha ainda tem contratos de importação com a França e Inglaterra, com um milhão de toneladas de grãos. Além de importar de outros países membros da União Européia, a Alemanha compra uma parcela de colza do Leste Europeu – Rússia e Ucrânia – além de grãos da China e óleo do Canadá. A razão, segundo Dieter Bockey, diretor de qualidade do Biodiesel da União, é técnica. “Temos demandas de qualidade, baseadas na oleosidade e acidez do grão”, explica. O crescimento no uso da semente de colza se consolidou com as exigências de qualidade prescritas na especificação DIN EN 14214, além das especificações da indústria de minerais.

E como em qualquer mercado, a Alemanha também sofre com fantasmas da concorrência. Desde o começo de 2007, nada menos que 200 mil toneladas de biodiesel americano foram injetados no mercado alemão. O preço de 100 litros é 53,25 euros, quase dez euros a menos do que a produção germânica, que paga exatamente 64 euros por 100 litros. Ainda ancorados nas subvenções, alguns produtores exigem uma resposta governamental. “É imprescindível uma reação do governo e da comissão da União Européia”, afirma Moritz Gaede, porta-voz da Campa Biodiesel, uma das empresas membro da BDV, Associação Alemã da Indústria do Biocombustível. Por enquanto, nas bombas, os preços do diesel de petróleo e do biodiesel quase se equivalem. O preço do litro do biodiesel varia de 95,9 centavos de euro a 1,13 – dependendo da região – enquanto o diesel mineral varia de 1,06 a 1,19 euros.

O apelo verde

Os ganhos ambientais com o uso do biodiesel são inquestionáveis. Com a atual capacidade de produção, a Alemanha pode reduzir a emissão de CO2 em 10 milhões de toneladas ao ano, segundo dados da BDV. “E, ainda assim, o governo fuzila o futuro do biodiesel com os impostos”, afirma Petra Sprick, diretora da BDV. De acordo com dados da associação, a produção pode cair de 30 a 40% com a adoção das novas taxas. “Com essas taxas o B100 não é competitivo”.

A verdade é que o setor de energias renováveis já é uma realidade na Alemanha. Estudos da Agência de Recursos Renováveis (Fachagentur Nachwachsende Rohstoffe, FNR) apontam que a biomassa contribuirá no futuro para uma parcela considerável na oferta de energia no país. Espera-se que 17,4% da necessidade de energia sejam cobertos por energias renováveis, até 2030. Atualmente 214 mil pessoas trabalham no setor e, quase metade, especificamente 43% delas, diretamente com bioenergias. De acordo com a IiG (Invest in Germany) agência oficial do governo que promove oportunidades de investimentos e negócios na Alemanha, no último ano, 4,7% dos combustíveis distribuídos no país foram biológicos. E destes, mais de 90% de biodiesel.

Segundo estudos da IiG – que tenta também captar investidores estrangeiros para o mercado de biocombustíveis no país – sozinha, a cota que prevê o aumento da mistura de biodiesel e bioetanol no diesel e gasolina minerais já garante uma parcela de mercado aos produtores. A não taxação da segunda geração de biocombustíveis e até 2015 – ao contrário do que aconteceu com o B100 – também garante bons negócios no setor.

Além do apoio do governo, o mercado dos biocombustíveis tem um ambiente fértil dentro da união européia que, preocupada com as emissões de CO2, criaram um conselho de normatização que prevê parcerias com a indústria automobilística e reservas de mercado para o uso das energias renováveis. Para se ter uma idéia, o conselho prevê que, até 2020, todos os 27 países membros atinjam um patamar de 10% do mercado para biocombustíveis. A Alemanha pretente garantir uma fatia mais grossa, com 17% do mercado para os combustíveis renováveis.