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FOME DE MERCADO

A Bioverde quer dobrar a capacidade de produção em um ano, investir em pesquisa e trabalhar junto a cooperativas agrícolas

Por Renata Costa, de São Paulo

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A Bioverde Biocombustíveis comemorou aniversário de um ano em setembro. O tempo de trajetória é curto, mas a vontade de crescer é grande e os diretores da empresa têm como meta conquistar logo seu lugar no mercado nacional.

A planta onde está localizada a usina foi comprada pronta. Os investidores, da Distribuidora Petrosul, não quiseram perder um ano e meio construindo uma nova usina. Em Taubaté, onde fica a Bioverde, a apenas 130 quilômetros da capital paulista, funcionava até setembro de 2006 uma unidade da Elekeiroz – empresa petroquímica que produzia plastificantes por reação de esterificação. O empreendimento foi aproveitado e, no total, para colocar em produção a Bioverde, foram aplicados mais de 30 milhões de dólares.

O segundo passo urgente foi a mudança de nome para tentar separar as imagens da nova empresa e da Petrosul - à qual permanece sendo o braço de produção de biocombustível. “Felizmente temos capacidade de produção muito maior do que a necessidade da Petrosul, por isso a desvinculação”, conta José Pereira Junior, gerente de projetos da Bioverde. “Temos contrato com ela, mas não somos produtores exclusivos desta distribuidora”, completa. Inaugurada como Biopetrosul, a empresa mudou a razão social para Bioverde Indústria e Comércio de Biocombustíveis Ltda.

Crescimento localizado

A idéia, segundo Pereira Junior, é focalizar a atenção da Bioverde para o abastecimento na região Sudeste. Hoje, a demanda do Brasil por diesel é de 42 milhões de metros cúbicos anuais. A região Sudeste consome 44% deste total. Com a adoção do B2, provavelmente não faltarão clientes para a Bioverde. Hoje a realidade é outra. Embora a empresa já tenha feito muitos contatos para o fornecimento de biodiesel, por enquanto não há nenhum contrato – público – fechado. “O mercado está muito fraco para o biodiesel. Não há gente querendo comprar”, afirma José.

A culpa pela baixa procura seria, segundo Pereira Junior, da soja – uma matéria-prima ainda muito cara. Outra questão que prejudica o mercado de biodiesel é a falta de interesse de algumas distribuidoras. “Algumas não distribuem biodiesel por puro preconceito”, diz.

Para baixar os custos e ter alternativas no que diz respeito à matéria- prima, a usina da Bioverde funciona com linhas independentes de reação para esterificação e transesterificação. São cinco reatores em batelada que aceitam qualquer tipo de óleo. Atualmente, a rota utilizada é a metílica, embora a etílica também seja possível.

As vantagens da flexibilidade no uso de matérias-primas é poder atender às especificações dos clientes, aumentando a variedade de demandas possíveis e também manter a independência em um hipotético momento de crise. “Se um produto estiver muito caro ou em falta no mercado, podemos usar outro sem precisar de qualquer adaptação tecnológica”, conta Pereira Junior. O sebo bovino, inicialmente previsto para ter uma participação de 20% na produção de biodiesel da Bioverde, pode ser uma das alternativas ao óleo vegetal. Os frigoríficos da região já foram sondados como possíveis fornecedores. Mas ainda não há nenhum contrato assinado.