Pinhão manso; pesquisas e agricultura familiar
Biodieselbr Recentemente em visita ao México, o senhor colocou o pinhão manso como uma das plantas de maior potencial para a produção de biodiesel. No entanto, o pinhão manso ainda não faz parte das oleaginosas do Programa Nacional do Biodiesel. Por quê?
Reinhold Stephanes Porque o pinhão manso, segundo os termos usados pela Embrapa, ainda não é uma planta domesticada. Ela existe, já é cultivada, mas ainda não passou por um processo de pesquisa e experimentação necessário para que se possam ter plantações industriais. Assim como também não se conhece bem o comportamento do pinhão manso sob diferentes condições de clima e de solo, e a que tipo de pragas está sujeito. Mas o fato é que o pinhão manso se mostra hoje como a segunda planta mais promissora sob o aspecto de produtividade entre todas as matérias- primas usadas para biodiesel. O dendê poderá produzir em uma plantação de bom manejo até seis mil litros de óleo por hectare. Já o pinhão manso, produzirá até mil litros por hectare. Todas as outras plantas estão abaixo deste rendimento. Outra vantagem é que o pinhão manso poderia se adaptar a um maior número de regiões no Brasil, diferente do dendê. Só que segundo a Embrapa é preciso primeiro escolher as plantas de pinhão manso mais produtivas para que sejam clonadas e gerem as plantações. Isso tornaria mais uniformes as plantações.
Biodieselbr Quanto tempo essas pesquisas devem demorar?
Reinhold Stephanes De cinco a dez anos. Mas algumas experiências já estão sendo feitas no Brasil, inclusive em larga escala. Em Caseara, no estado do Tocantis, há uma plantação feita pela iniciativa privada de dois mil e 500 hectares que entrará logo na fase de produção. Vamos acompanhar os resultados dessa colheita. Também há experiências sendo desenvolvidas em São Paulo e outras cidades brasileiras. Em todo caso, mesmo o pinhão manso sendo uma planta altamente promissora, acredito que temos que ter muita cautela.
Biodieselbr O governo federal exige que as usinas produtoras de biodiesel adquiram uma porcentagem de matéria-prima originária da agricultura familiar para conseguir isenção fiscal. No entanto, as grandes usinas, por precisarem de uma quantidade muito grande de matéria-prima, são obrigadas a recorrer a milhares de agricultores familiares. Isso acaba dificultando o processo. Essa exigência não limita a capacidade de produção de biodiesel no país?
Reinhold Stephanes A idéia é dar uma
característica social a esse programa
(Programa
Nacional de
Produção e Uso
do Biodiesel), já
que o governo
federal criou um
mercado para o
biodiesel. Existe
um subsídio implícito.
Diferente
do álcool, que já é
economicamente
altamente competitivo. Por causa
dessa contrapartida do governo,
queremos envolver pequenos produtores
ou fornecedores de matéria-
prima. Mas isso, normalmente,
está sendo feito com a integração
com produtores maiores. Então,
dificilmente uma usina que já tem
a compra do óleo garantida pela
Petrobras terá problemas com fornecimento
de matéria-prima. Eu
acho que é possível dar essa visão
social ao programa sem perder as
características econômicas. Mas
temos que ter algo em mente. No
caso do etanol, já temos uma experiência
de 30 anos. O Brasil saiu
na frente, está na frente e deverá
continuar na frente. No caso do
biodiesel nós estamos começando.
Vamos ter, possivelmente, algumas
pedras no caminho. O que também
é natural.