Conferência BiodieselBR 2007
Palestrantes
Luiz Ramos: “O mundo atualmente consome 336 milhões de litros de petróleo por dia, sendo que para cada dois litros consumidos, apenas um litro é descoberto em algum ponto do planeta. Atualmente estamos queimando 20 milhões de anos em reservas fósseis a cada ano. Diante desse cenário, o biodiesel pode representar uma saída importante. No entanto, é essencial lembrar que a sustentabilidade econômica e sócio-ambiental da cadeia produtiva do biodiesel está diretamente ligada ao uso da glicerina, já que o produto é altamente poluente quando lançado ao meio-ambiente. Toda a matéria-prima processada em uma planta deve deixála na forma de produto, e não de efluente ou material de descarte, já que isso gera custos adicionais que podem comprometer a viabilidade do processo. Atualmente, há um excesso de glicerina no mercado mundial. A introdução do B2 oferecerá ao mercado brasileiro duas vezes mais glicerina do que é processada hoje em dia. Por isso, é fundamental estudar novos usos e meios de aplicação dela."
Univaldo Vedana: “As usinas estão trabalhando com 15% da capacidade instalada. Entre os principais problemas está o alto preço da matéria-prima. Hoje o biodiesel é mais caro do que o diesel comum. O Brasil cometeu um erro ao achar que teria óleo à vontade para o biodiesel. As usinas construídas no país foram pensadas para trabalhar exclusivamente com a soja, que é usada em 90% da produção. No ano passado, o consumo de óleo aumentou e, com isso, os preços também tiveram alta. O mesmo está acontecendo com a indústria de sebo. Hoje são produzidas cerca de 700 mil toneladas de sebo. A usina inaugurada em Lins pelo Grupo Bertin deve consumir pelo menos 15% desse total. Ou seja, 110 mil toneladas por ano. Com certeza, isso terá um impacto no mercado de sebo no Brasil. A questão é complexa."
Donato Aranda: “Podemos aumentar em pelo menos
mais 5% a participação de
energia renovável na energia primária
total do Brasil. E a contribuição
do biodiesel deve ser decisiva.
Há cerca de 33 mil postos de
combustível no Brasil e pelo menos
5 mil deles já utilizam o B2. Desde
2004, o aumento dos postos que
vendem o biodiesel cresceu 25%.
As perspectivas para o setor são
boas, já que a expansão foi rápida.
Mesmo a Associação Nacional do
Fabricantes de Veículos Automotores
(Anfavea), já declarou que
os carros produzidos no Brasil estão
aptos a usar o biodiesel. Desde
a invenção do álcool combustível,
foram necessários quase 30 anos
para inventar o motor flex. Mas, no
caso do biodiesel, essa conversão é
feita de forma natural, já que o motor
que recebe diesel pode ser abastecido
também com o biodiesel.
Há ainda a questão de produção de
matérias-primas. Acredito que não
haverá competição com os alimentos,
já que há muita terra disponível
no país para a agricultura. Se forem
usados apenas 10% de biodiesel, já
se produzirá muito combustível.”


